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07/10/2021 às 10h44min - Atualizada em 13/10/2021 às 00h00min

A solidão da depressão

(*) Guilherme Augusto de Carvalho

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com
Divulgação
Nem sempre a depressão é uma doença compreendida. Ela é vista por muitos, ainda, como uma enfermidade de pessoas ricas ou de quem não tem muito o que fazer na vida. Já ouvi muito esta frase e essas tentativas de justificar, me parece, ficam sem explicação quando se constata que são muitas as pessoas ocupadas que sofrem deste mal. Se depressão tivesse a ver com classe social, tempo livre ou condições financeiras, não existiriam tantos casos assim.

A depressão é uma doença solitária, ela nem sempre é vista no semblante das pessoas. É possível vermos alguém sorrindo, com um rosto feliz, mas que guarda em seu interior “aquele cinza” que só a depressão consegue gerar. O sentimento e a dor vivenciada por um depressivo são sempre únicos.

Cada vez mais se fala sobre a empatia, um conceito fundamental para o bom convívio. E creio ser ela um princípio importante para cultivar a justiça e a parceria, mas não suficiente quando se trata da depressão. Afinal, nem sempre é possível se colocar no lugar do outro, e pior: no afã de tentar entender uma dor é possível terminar projetando o que se sente ao invés de entender o problema a partir da outra pessoa. Essa projeção comum de acontecer esconde o que o indivíduo em depressão realmente está sentindo e não o ajuda, é um sentimento do outro e não dele.

A depressão também é solitária porque para entender, ou mesmo se colocar no lugar de alguém, é preciso conhecer a dor, ter familiaridade com o tom que esta melodia triste causa na vida das pessoas. Se alguém não faz ideia do que o depressivo está sentindo, certamente não vai compreender e nem conseguir, de forma alguma, se colocar no lugar de quem padece. Sendo assim, comumente quem vivencia depressão se torna incompreendido justamente por estar passando por algo que é único, algo que dói em si de uma maneira difícil de explicar, de exemplificar, de fazer entender.

Mas, se nem sempre uma empatia total é possível, ainda assim é possível buscar ouvir e ser um apoio independente de compreender ou não a dor. Se a empatia não ajuda, o abraço, a companhia e o amor certamente vão ajudar. Porque mais do que compreender, ou tentar incessantemente se colocar no lugar de alguém, importa mesmo é a atitude de não tentar simplificar algo que é impossível simplificar.

Uma vida interrompida significa um sonho não vivido, uma alegria anulada, uma história que teve fim antecipado devido a uma dor difícil de quantificar. Portanto, apoiar vai muito além de compreender e ter empatia com a pessoa que passa pela doença. Significa estar ao seu lado sem julgamentos e oferecer muito mais o ombro do que conselhos. Evite explicações ou soluções mágicas que não existem. Priorize o coração e respeite o sentimento que não é seu.

(*) Guilherme Augusto de Carvalho é bacharel em Teologia, especialista em Filosofia, Ciências da Religião e Ensino Religioso. Professor da Área de Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter
 
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