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30/10/2021 às 00h16min - Atualizada em 03/11/2021 às 00h00min

Ser mãe após tratamento de câncer de mama

Médicos aconselham avaliar o período

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Outubro é um mês dedicado à prevenção do câncer de mama. Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama corresponde a cerca de 28% dos novos casos de câncer em mulheres. E, uma das principais dúvidas das mulheres é se é possível engravidar após o tratamento da patologia.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA, Hitomi Nakagawa, é comum e real a preocupação de mulheres diagnosticadas com o câncer de mama que estão em sua idade fértil e desejam engravidar. “Além da remoção cirúrgica da lesão, pode haver necessidade de tratamento complementar com medicamentos bloqueadores da função ovariana, quimioterapia ou radioterapia, que podem adiar a possibilidade de gestação temporária ou definitivamente”. Em casos mais extremos, de mulheres com mutações nos genes associados também a câncer de ovário, pode ser necessário até a retirada dos ovários, o que gera a necessidade de utilizar métodos de reprodução assistida previamente para preservar a possibilidade de engravidar.

Os estudos em reprodução assistida mostram que é possível, sim, engravidar após um tratamento de câncer de mama. “Os estudos são bem conclusivos a esse respeito. Há casos em que a paciente volta a ovular e tem chance de engravidar espontaneamente após o tratamento. Mas a preservação da fertilidade antes da quimioterapia é o caminho para ter a possibilidade do sucesso de uma gravidez no futuro.” explica a médica Fernanda Polisseni, membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA.

A preservação da fertilidade nesses casos se dá por meio do congelamento de óvulos ou embriões. A técnica é baseada na estimulação ovariana, por meio de hormônios. Com a estimulação, uma mulher consegue produzir em um único ciclo vários óvulos maduros. Tais óvulos são retirados do ovário, avaliados e os considerados maduros são congelados. “ Esses óvulos podem permanecer congelados por tempo indeterminado, preservados em nitrogênio líquido a -196° Celsius, após um processo de vitrificação, ou seja congelamento rápido”, comenta Polisseni.

Outra alternativa para preservar a fertilidade é o congelamento dos embriões. Depois de retirados os óvulos, eles podem ser fertilizados pelo sêmen do parceiro, e os embriões formados, por meio da fertilização in vitro, são congelados.

Entretanto, especialistas aconselham que é de extrema importância avaliar o período para iniciar um tratamento de reprodução assistida. “Existe uma correlação entre alguns tipos de câncer de mama com os hormônios produzidos pelos ovários, que são elevados durante a gestação. Quando há a suspeita ou o diagnóstico desse tipo de câncer, evita-se inclusive o uso de substâncias com hormônios como o anticoncepcional, por exemplo. Eventualmente, pode até ser indicado bloquear a produção ovariana de hormônios com medicamentos”, explica Hitomi.

Para a doutora Fernanda Polisseni é importante que a paciente seja liberada pelo oncologista e mastologista para que possa passar por uma gravidez saudável. “Se a paciente está curada após o câncer, há segurança para gestar, pois não há riscos em relação a piora da doença ou recidivas, mas é imprescindível que isso seja acordado com os médicos”, conclui.

Dados do câncer de mama no Brasil

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), mostram que de 80% a 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas. O que significa dizer que as mudanças provocadas no meio ambiente pelo ser humano, os hábitos e os estilos de vida podem aumentar o risco de diferentes tipos da doença.

Informações de 2018 mostram que ocorreram 18 milhões de novos casos de câncer no mundo todo naquele ano, tendo o de mama emplacado o expressivo número de 2.1 milhões. Para o Brasil, a estimativa é que, para cada ano do triênio 2020-2022, ocorram 66.280 novos casos da doença. Isso representa um risco estimado de 61 casos a cada 100 mil mulheres


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