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17/11/2021 às 18h31min - Atualizada em 18/11/2021 às 00h00min

Com 92% de eficácia técnica que erradica o Aedes aegypti pode ser implantada em todo o Brasil

Multinacional faz trabalho com mosquitos estéreis

SALA DA NOTÍCIA Pedro Moraes
inovelondrina.com.br
Divulgação/Forrest

Parte do calendário oficial de ações de saúde pública, o Dia Nacional de Combate à Dengue este ano é no sábado (20) e não faltam motivos para se preocupar com a ação do mosquito Aedes aegypti. Segundo dados de outubro do Ministério da Saúde, foram registradas 477.209 notificações, numa taxa de incidência de 223,7 casos por 100 mil habitantes. A Região Centro-Oeste apresentou a maior, com 495,6 casos/100 mil hab., seguida das Regiões: Sul (218,8 casos/100 mil hab.), Sudeste (204,5 casos/100 mil hab.), Nordeste (201 casos/100 mil hab.) e Norte (155,1 casos/100 mil hab.). O inseto ainda é responsável pela transmissão de outras sérias arboviroses como a Zika, Chikungunya e Febre Amarela. Hoje, já é possível controlar a infestação do mosquito sem uso de animais transgênicos ou a aspersão de inseticidas.

O Projeto Controle Natural de Vetores desenvolvido pela Forrest Brasil Tecnologia, com trabalho de cientistas brasileiros e israelenses, apresenta excelentes resultados. A empresa é uma multinacional de biotecnologia avançada que busca soluções para combater os mosquitos vetores de patógenos causadores de doenças de grande impacto para a saúde pública. O método é baseado na tecnologia TIE – utilização do Inseto Estéril –, em que os mosquitos são soltos de forma massiva. Os machos estéreis se acasalam com as fêmeas selvagens, que deixam de procriar, o que provoca uma imediata redução na infestação do mosquito e disseminação da doença.

O estudo é reconhecido pela comunidade científica internacional e publicado no Journal of Infectious Diseases, revista médica revisada por pares, editada pela Oxford University Press em nome da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, principal referência na área. A Secretaria de Saúde do Paraná também reconhece e aprova a tecnologia. E os resultados já são vistos. A mais recente utilização do método acontece na cidade de Ortigueira (PR). O trabalho é realizado em parceria com a empresa Klabin e o município foi implantado em novembro de 2020, em seis meses a redução foi de 92% da população local de mosquitos. Dados mais recentes do trabalho mostram que a continuidade do trabalho fez com que, há dois meses, não fossem mais encontradas larvas e ovos na região. O número de pessoas doentes também caiu, de 120 para 4, quase 97%. Não foram registradas mortes.

“Neste momento de mudanças na dinâmica populacional, utilizar tecnologia e inovação é fundamental, pois as medidas de controle utilizadas atualmente são de certa forma pouco efetivas e de alto custo com baixo poder de prevenção”, explica a epidemiologista Daniele Queiroz, coordenadora da Forrest, consultora da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), com especialização na Universidade Johns Hopkins, nos EUA.
O desafio dos brasileiros diante do Aedes aegypti é antigo. Uma das maiores iniciativas de erradicação do mosquito remonta ao começo do século XX, mais especificamente a 1904, quando a capital do País à época, o Rio de Janeiro, viveu um grande surto de febre amarela e de varíola. O médico e bacteriologista Oswaldo Cruz, como diretor-geral da Saúde Pública, liderou uma campanha de extermínio dos vetores. Já os números atuais no país são imprecisos, por ter ocorrido uma grande subnotificação consequente à pandemia.
 
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