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23/11/2021 às 15h03min - Atualizada em 24/11/2021 às 00h00min

Entenda por que ter gordura no fígado é perigoso

Esteatose hepática é considerada a mais frequente doença de fígado da atualidade

SALA DA NOTÍCIA JS Press Assessoria
Divulgação
A Esteatose Hepática se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura (lipídios) nas células do fígado, denominadas hepatócitos. Essas podem permanecer estáveis por muitos anos e até regredir se suas causas forem controladas.

De acordo com Felipe Borges, médico cirurgião do aparelho digestivo com ênfase em fígado, a esteatose hepática é considerada a mais frequente doença de fígado da atualidade. Estima-se que entre 20% a 30% da população em todo o mundo seja portadora da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). “Isso pode ocorrer em homens e mulheres, em todas as idades, incluindo as crianças e adolescentes. É preocupante também a associação da DHGNA, quando não controlada, com a maior frequência de diabetes e hipertensão arterial e com o maior risco de doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral)”, explica o cirurgião.

O profissional explica que os fatores de risco para gordura no fígado podem ser primários, como: obesidade e sobrepeso com obesidade central, diabetes mellitus, dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicérides) e hipertensão arterial. Já os secundários são medicamentosos, ocasionados pelo consumo de amiodarona, corticosteroides, estrógenos, tamoxifeno, toxinas ambientais (produtos químicos), esteroides anabolizante e até por cirurgias abdominais, como o bypass jejuno-ileal e as derivações biliodigestivas.

A esteatose ou gordura no fígado não apresenta sinais ou sintomas. Trata-se de uma doença silenciosa. Segundo Borges, se não for tratada, a doença pode evoluir para a esteatoepatite. “Nessa fase a esteatose se associa à inflamação e morte celular, fibrose (cicatrização) e tem maior potencial de progressão, ao longo dos anos, para cirrose e para o carcinoma hepatocelular (CHC) ou câncer de fígado”, diz.

A esteatose é inicialmente identificada quando o paciente realiza uma ultrassonografia de abdômen como parte de seus exames clínicos de rotina ou periódicos. O diagnóstico da esteatose é incidental, isto é, o exame não é realizado com o objetivo de identificar a esteatose.

Borges salienta que para o diagnóstico da DHGNA (esteatose ou esteatoepatite) é importante que os pacientes sejam avaliados através de uma consulta médica por um clínico ou hepatologista (especialista em doenças do fígado). Esses médicos, através de uma história clínica cuidadosa, identificarão os fatores de risco primários, secundários ou as doenças associadas. 

Depois da avaliação clínica, exames complementares colaboram com o diagnóstico da DHGNA. Esses incluem exames de laboratório (enzimas hepáticas, colesterol total e frações, triglicérides, glicemia, insulina, entre outros), exames de imagem (ultrassonografia de abdômen, tomografia computadorizada, ressonância magnética e elastografia hepática) e, em casos selecionados, a biópsia do fígado, único exame até o momento capaz de estabelecer o diagnóstico seguro de esteatoepatite.

Tratamento para gordura no fígado

O tratamento varia de acordo com a causa da esteatose, mas como regra geral, mudanças no estilo de vida com alimentação equilibrada e atividade física regular são recomendadas para todos os pacientes.

A dieta deve ser orientada por médicos e nutricionistas e adaptada às condições clínicas do paciente. Atenção deve ser dada às doenças associadas, como obesidade, diabetes e hipertensão arterial. “Não são recomendados suplementos alimentares e medicações sem registro dos órgãos de vigilância credenciados”, pontua o cirurgião.

A atividade física deve ser recomendada, incentivada e adaptada às condições clínicas e idade dos pacientes considerando-se também se esses são sedentários, ativos ou atletas.

A melhor forma de tratar o paciente com DHGNA é através de medidas não farmacológicas, priorizando redução de peso e prática de atividades físicas, aeróbicas e exercícios resistivos. “Como medidas farmacológicas, a primeira linha de tratamento é baseada no uso de Semaglutide e da Liraglutida, agonistas de receptor de GLP-1 (glucagon-like peptide-1), que mostrou ser capaz de melhorar os níveis de enzimas hepáticas, reduzir a esteatose e ter efeito benéfico na redução do dano histológico na DHGNA (especialmente na dose de 1,8mg). Em uma segunda linha de tratamento, entram a Vitamina E e Pioglitazona. Porém, o uso de medicamentos só está indicado nos pacientes com fibrose maior ou igual à F2”, finaliza Borges.
 
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