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26/01/2022 às 13h29min - Atualizada em 27/01/2022 às 00h00min

Nem sempre desatenção está relacionada com o TDAH

Psiquiatra chama a atenção para a importância do diagnóstico correto

SALA DA NOTÍCIA Cristiane Miranda Malheiros

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade- o TDAH- é mais comum em crianças, afetando de 3% a 5% da população infantil no mundo todo, mas pode também aparecer na fase adulta. Para a psiquiatra Kelly Pereira Robis, professora do curso de Medicina da UFMG e PUC/Minas, antes de oferecer um diagnóstico correto é preciso saber o que é desatenção. “Desatenção é a redução da nossa capacidade de atenção, então, nem sempre esse sintoma é indicativo do TDAH. O importante é entendermos em quais cenários essa desatenção está ocorrendo. Na medicina nenhum sintoma é característico de uma doença apenas, mas o indicativo de várias possibilidades”, explica a médica.
 
O TDAH é um transtorno neurobiológico que tem como principais características a falta de atenção, a agitação e a impulsividade. Os portadores de TDAH têm alterações na região frontal e suas conexões com o resto do cérebro. Essa parte do cérebro é responsável por inibir comportamentos inadequados, como também pela memória, atenção, autocontrole, organização e planejamento.
 
“O que percebo na prática clínica é que as pessoas estão exigindo a si mesmas uma atenção demasiada. Por exemplo, ficam dez horas trabalhando pelo celular ou pelo tablet, e, após esse expediente exaustivo, querem ainda ter uma atenção em seis horas de estudo. Então, chegam ao consultório achando que possuem o transtorno de déficit de atenção. Por isso, é de extrema importante que o médico conheça a história de vida de cada paciente, conheça seus hábitos, para que o diagnóstico seja correto”, salienta a psiquiatra Kelly Robis.
 
Como diagnosticar o TDAH
 
O TDAH possui aproximadamente 18 sintomas divididos em três grupos: nove sintomas estão relacionados à desatenção, seis à hiperatividade e três à impulsividade. Durante a infância, o TDAH manifesta-se, geralmente, diante das dificuldades de aprendizado na escola e no relacionamento com os colegas, pais e professores. “Sim, existem critérios diagnósticos claros para o transtorno, que devem ser interpretados de forma cuidadosa por um especialista. A presença de uma lista de sintomas não é necessariamente indicativo do diagnóstico uma vez que esses 18 sintomas podem estar presentes em outros transtornos psiquiátricos”, informa Kelly Robis.
 
Na adolescência, uma característica do transtorno de atenção é a dificuldade em lidar com frustração, agitação e dificuldade de concentração. Já na fase adulta, surgem problemas com desatenção, esquecimentos frequentes e impulsividade. Muitos adultos com TDAH possuem outros problemas associados, como abuso de drogas, álcool, ansiedade e depressão.
 
“O diagnóstico do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é bastante complexo, sendo predominantemente clínico, baseado na observação e no relato dos sintomas pelo paciente e pelos familiares. Muitos hábitos de vida provocam essa desatenção e nem sempre significa que uma pessoa está com TDAH”, salienta Kelly Robis.

A psiquiatra salienta que o acompanhamento do dia a dia, pelos pais, é fundamental. “O que aconselho aos pais é que observem o comportamento dos filhos, vejam o que mudou, se alguns hábitos foram inseridos no dia a dia da criança ou adolescente e, a partir disso, os filhos estão apresentando dificuldades. Essa observação cuidadosa que é levada ao consultório médico será fundamental para o diagnóstico do TDAH”, diz.
 
 

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