Nem toda amizade nasce na infância ou na faculdade. Há aquelas que começam por afinidades. E existem as que nascem em um momento que ninguém escolheria viver: diante do diagnóstico de uma doença grave.
Algumas começam em uma sala de espera, durante uma internação, em um grupo de apoio ou na troca de mensagens entre pessoas que nunca se encontraram pessoalmente, mas compartilham a mesma realidade.
Quem convive com Fibrose Pulmonar Idiopática ou Progressiva (FPI ou FPP), Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC), Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Asma Grave, deficiência de Alfa-1 ou Insuficiência Cardíaca sabe que o diagnóstico altera muito mais do que a rotina clínica. As doenças transformam a vida da família, modificam planos e despertam dúvidas que, muitas vezes, apenas quem tem experiência semelhante consegue compreender.
É nesse encontro entre histórias semelhantes que surge uma rede de apoio. Uma pessoa explica como enfrentou um exame difícil ou problemas logísticos. Outra conta onde conseguiu atendimento. Alguém visita no hospital ou telefona para perguntar como foi a consulta. Há quem divida o medo e quem ofereça coragem. Aos poucos, os desconhecidos tornam-se amigos, compartilhando angustias, mas também as vitórias.
Esses vínculos também acolhem quem cuida. Pais, filhos, companheiros e irmãos encontram espaço para compartilhar as aflições e a responsabilidade sem o receio de serem julgados. Descobrem que não precisam enfrentar tudo sozinhos.
Há quase 20 anos, a Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF) incentiva o nascimento dessas amizades. É uma comunidade que aproxima pacientes, cuidadores, profissionais de saúde e voluntários de diferentes estados do país.
"Quando recebi o diagnóstico, imaginei que a doença me deixaria isolada, mas com a Abraf, ganhei amigos em várias regiões do Brasil. Hoje, compartilhamos palavras de incentivo, dividimos angústias e tentamos ajudar quem enfrenta dificuldades para manter o tratamento. Na nossa rede de pacientes, familiares e profissionais lembramos a força dessa união todos os dias, ninguém caminha sozinho", afirma Débora Lima, vice-presidente da ABRAF.
No Dia do Amigo, a data ganha um significado diferente para quem vive com doenças cardiorrespiratórias graves. A amizade passa a representar apoio, acolhimento, informação e esperança.
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FERNANDA PEREIRA DA SILVA
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