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19/04/2022 às 15h57min - Atualizada em 20/04/2022 às 00h01min

Covid-19: é momento de decretar o fim da pandemia no País?

Por Paula Carnevale, docente do curso de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi, doutora em Saúde Pública e Infectologista.

SALA DA NOTÍCIA Assessoria de Imprensa
Arquivo Pessoal/Paula Carnevale
No domingo, dia 17 de abril, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em pronunciamento em rádio e televisão informou que determinará o fim da Espin (Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional), em vigor desde março de 2020. Esta ação normativa modifica uma série de ações implementadas para o controle da pandemia, desde o financiamento de ações de saúde pública, passando por medidas de vigilância epidemiológica e sanitária, como controle de fronteiras e orientações de quarentena, até leis trabalhistas, como a proteção das gestantes. Com o declínio do número de casos e de mortes, algumas medidas, como o uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados, já haviam sido revogadas por alguns estados e municípios.

Mas é o momento de decretar o fim da pandemia? A Organização Mundial de Saúde, na última reunião do Comitê de Emergência, manteve, por unanimidade, a classificação do cenário sanitário como pandemia. Isso por que o vírus continua circulando, a taxa de imunização dos países é desigual (21 países, a maior parte no continente africano, tem menos de 10% da população vacinada), além do fato de novas cepas emergirem com diferentes taxas de transmissibilidade e letalidade.  O problema, portanto, continua a ser considerado uma emergência de saúde pública internacional.

No Brasil, apesar da queda acentuada, a Covid-19 ainda é a doença que mais mata no país. Até 14 de abril, foram 30.209.276 casos confirmados de Covid-19 no país, e 661.710 óbitos, desde o início da pandemia. A média móvel de mortes e casos cai de forma consistente. Temos, no entanto, uma nova cepa circulante, a BA.2, e poderemos voltar a assistir um acréscimo de casos, embora não se projete aumento de internações e óbitos.

Ainda sabemos pouco sobre o Sars-CoV-2 e a Covid-19. Entre as crianças, por exemplo, poupadas no início da pandemia, observa-se aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), e, embora o vírus sincicial respiratório e rinovírus sejam agentes identificados, a maior parte dos óbitos por SARS em crianças (83,4%) ocorre nos casos provocados pela Covid-19.
A Covid prolongada é objeto de estudo. Um percentual significativo de pessoas afetadas pode permanecer mais de um ano com sintomas respiratórios, cardiovasculares, musculoesqueléticos, neurológicos ou mentais. Os mecanismos que causam tais condições ainda são desconhecidos e, portanto, o tratamento é limitado.

Estamos, de fato, caminhando para um cenário de controle. As médias de vacinação do país seguem ascendentes, mais de 75% da população completou o ciclo vacinal (duas doses ou dose única de vacina) e mais de 82% receberam ao menos uma dose da vacina. As coberturas são menores nas crianças: 54,5% das crianças entre 5 e 11 anos receberam a primeira dose e 20,8%, a segunda dose. Devemos, no entanto, ressaltar que a vacinação no país é desigual e as médias não refletem a cobertura de cada Estado.

É preciso, também, pensar para além da saúde. A pandemia provocou impactos sociais e econômicos profundos no mundo e no país. No Brasil, a expectativa de vida reduziu, revertendo uma tendência de anos de ascensão. Segundo pesquisas realizadas com o apoio da Fapesp, voltamos a figurar no mapa da fome, houve redução da renda e aumento da proporção de população em pobreza extrema. Na educação, as diferenças de acesso à tecnologia aumentaram a distância entre os alunos da rede pública de ensino e da rede privada.

A economia da saúde é outro aspecto a ser ressaltado. As políticas de desindustrialização refletiram na falta de insumos básicos no início da pandemia, como equipamentos de proteção individual, seguido de respiradores, de kits de testagem e insumos para a vacina.
A falta de coordenação nacional atrasou o início da vacinação, levou informações equivocadas à população em relação a medidas de proteção, como o uso de máscaras, e popularizou tratamentos ineficazes. Não há muito a comemorar.

Não é, portanto, momento de decretar o fim da situação de emergência. Ao contrário, é momento de rever a atuação pública durante a pandemia e seguirmos alertas para essa situação ainda desconhecida.

A Covid-19 ainda não é uma doença de ocorrência previsível, como a dengue ou a gripe, doenças sazonais para as quais nos preparamos anualmente com medidas de controle ambiental e, no caso da gripe, vacinação. Estudá-la, conhecer o seu impacto sobre a saúde da população, para orientar e implementar medidas de controle, requer investimento, pesquisa e acompanhamento epidemiológico. É esse o rumo que esperamos das políticas públicas.

Fontes:
Medscape. Boletim Covid-19. Semana 9 a 14 de abril. Disponível em https://portugues.medscape.com/verartigo/6507782_4

Fapesp.60 anos. Ciencia, cultura e desenvolvimento. Fascículo 9. Conhecimento para orientar políticas públicas e reduzir desigualdades. Disponível em https://60anos.fapesp.br/livro/#/fasciculo09/conhecimento-para-orientar-politicas-e-reduzir-desigualdades

Sobre a Universidade Anhembi Morumbi
A Universidade Anhembi Morumbi oferece programas de graduação, graduação tecnológica e pós-graduação lato sensu e stricto sensu, distribuídos nas áreas de Ciências da Saúde; Turismo e Hospitalidade; Negócios; Direito; Artes, Arquitetura, Design e Moda; Comunicação; Engenharia e Tecnologia e Educação. Seus oito campi estão localizados nas regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Mooca, Morumbi, Vale do Anhangabaú, São José dos Campos e Piracicaba. 
Possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, já tendo enviado, desde 2006, milhares de alunos do Brasil para realização de cursos no exterior, além de receber centenas de estudantes estrangeiros em seus campi, que se tornaram locais multiculturais para o aprendizado. 
Saiba mais sobre a Anhembi Morumbi em https://portal.anhembi.br/

Sobre a Ânima Educação
Com o propósito de 'Transformar o Brasil pela Educação', a Ânima Educação é o maior ecossistema de educação de qualidade do país, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é formada por uma comunidade de aprendizagem com cerca de 350 mil pessoas, composta por mais de 330 mil estudantes e 18 mil educadores, distribuídos em 18 instituições de ensino superior. Está presente em 12 estados, nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste, e em quase 550 polos de ensino digital por todo o Brasil. Integradas também ao Ecossistema Ânima estão oito marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI (Escola Brasileira de Direito), Le Cordon Bleu (SP), SingularityU Brazil, Inspirali e Learning Village, primeiro hub de inovação e educação da América Latina, além do Instituto Ânima.
Em 2021, a Ânima foi destaque no Guia ESG da revista Exame como uma das vencedoras na categoria Educação. Em 2020, foi reconhecida como uma das cinco Empresas mais Inovadoras do País, na categoria Serviço, de acordo com o Anuário de Inovação do Valor Econômico; e conquistou, em 2019, o prêmio Mulheres na Liderança, na categoria Educação, iniciativa da ONG Women in Leadership in Latin America (WILL). Desde 2013, a companhia está na Bolsa de Valores, no segmento de Novo Mercado, considerado o de mais elevado grau de governança corporativa.
 
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